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sábado, 30 de junho de 2012

Esperança utópica

Penso que um dia
Os homens serão irmãos,
Nada de hipocrisias
Somente a emoção!
Penso que um gesto meu
Tem o poder de um murro,
Mas este se perdeu
Vagando a esmo no escuro!
Penso sim, meu bem,
Em tudo que não me deixam pensar,
E além disto o meu desejo
De que o mundo seja para alguém
Uma maneira de encontrar
A força interna para vencer o medo!

Outro soneto da emoção

Quero oferecer a você algo que a faça lembrar
Que neste sentimento profundo
Eu posso me reencontrar
E em troca reconstruir um mundo!
Quero oferecer a você algo para comemorar
Que em mim só fez renascer
Minha razão de amar
E hoje é o motivo para sempre lhe escrever!
Quero lhe ofertar toda a paixão de uma flor
Que vai além do meu sentimento
E é a origem dos meus pensamentos.
De tal forma e consistência
Que muito mais que qualquer ciência
Há de prevalecer em mim este amor!

Aborto

Tu és a quem dedico
Todo o carinho das horas
Em que nem sei qual teu sorriso
Ressurge triste na memória!
Tu és a quem o amor
Não tive coragem de ofertar
Pelo fato de que em flor
Não chegaste a vingar!
Foi tão triste, meu bem,
Ver-te em pedaços no lixo
Sem teres te formado um neném
Enquanto sufocada pelo som alto de um disco
Vi na lata esta parte de mim também
Para ter o corpo belo por capricho!

Bondade

A sua mão estendida
Acaricia uma flor,
Salva uma vida,
Oferece o amor!
O seu olhar sobre o mundo
Traz vida e esperanças
Desde o nobre e o vagabundo
Até o homem ou a criança!
O seu pensamento
Traz amor sobre a terra
E segue muito além!
Deus permita que o sentimento
Anuncie uma nova era
E nos ensine a ser gente de bem!

Paralelas

Sobre as ruas da cidade
Passas triste, sem lembrares de mim,
Que aqui chego aos poucos ao fim,
Sem ter sido tua felicidade!
De repente nossas vidas
Refletem-se em paralelas
E pode-se ver que a minha tão singela
Choca-se com a sua tão bonita!
E eu sigo adiante
Porque não posso parar
Tudo que comecei na primavera,
Mas caso lágrimas sufocantes
Contemplares, a cair sem parar,
Verás que não são nada diante das paralelas!

Até breve


Não deixe de acreditar,
Não deixe de prosseguir,
Não deixe de lutar,
Esta é a base do existir!

Não se perca pela dor,
Não se deixe corromper,
Não menospreze teu valor,
É preciso coragem para viver!

Muitos vão te pertubar,
Muitos tentarão te desviar
Falando coisas que não se deve...

Mas teu caminho é diferente
Por que tu és inteligente,
E para esses podes dizer: - Até breve!

Vida é para viver

Não é porque a flor secou
Que os espinhos serão eternos.
Não deixe que o desamor
Se transforme em longo inverno!
Abre seu coração e mente
Para as alegrias da vida,
Pois quem guarda mágoas somente
Cria na alma imensas feridas!
Vida é para viver,
Sonhos para sonhar.
Agora, não vá você,
Trocando as coisas de lugar,
Por tudo a perder,
Deixando inclusive de se amar!

Mauro Antonio Evaristo. In Namastê - Quatro Barras. PR: 
Editora Protexto. 2013. vi, 102 p.: 21 cm. Pág.: 98

ISBN:97-885-7828-401-5

Uma Luz Ludmila


Um brilho de estrela,
uma estrela de brilho.
Um lume de beleza,
uma beleza de sorriso!
Uma amiga no mundo.
Um mundo de esperança
para um sentimento profundo
no sorriso de uma criança!
Um jeito de fazer o bem,
uma luz Ludmila,
e Ludmila aonde for.
Por que sei que há alguém
que mesmo no escuro brilha,
e brilhando nasce uma flor!

Não chore por mim


Quando você se for pela estrada da vida,
Tenha plena certeza, não olhe para o passado,
Pois eu estarei já em outra lida,
Reconstruindo meu sonho acabado!
Vou me lembrar de você como no primeiro dia.
Logo, eu estarei a cantar feliz,
Sabendo que após um trágico dia
Há sempre dois ou mais com outro matiz!
Não vá chorar por mim porque eu não mereço
Mais do que seu carinho esquecido nas curvas do tempo,
Mais até do que este amor pelo qual ainda padeço,
Eu mereço apenas o sentimento
Da lembrança do sonho que não tem fim,
Por isso lhe peço não chore por mim!

Além-sonho.


Vivo seguindo um sonho
Que sei não me pertence,
Mas se chega ao que componho,
Então ele me convence!


Componho um sonho em vida
Ciente de sua importância.
Não busco chão ou guarida,
Pois vivo de esperança!


Sonho que sou alguém
E nesse devaneio me perco
Com a certeza de me sentir bem,


Pois o que sinto não mereço
Porque sei que estou além,
Além do que padeço!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O alimento

Quem se alimenta fica forte,
quem o prepara fica também.
Fazer o alimento traz a sorte
de saber criar o bem!
Quem prepara o alimento
transforma matéria em energia,
energia que dá o sustento
que prevalece no dia-a-dia!
Deus abençoa todos os dias
aquele que prepara o alimento
que dá força e vigor.
Porque é imensa a alegria
de quem recebe o sustento,
que também é uma prova de amor!

Mauro Antonio Evaristo. In Namastê - Quatro Barras. PR: 
Editora Protexto. 2013. vi, 102 p.: 21 cm. Pág.: 98

ISBN:97-885-7828-401-5

Soneto da emoção

Este é o soneto da emoção,
Transmitindo diretamente a você,
Que é a dona da minha razão
E me faz feliz renascer!
Este é o soneto da emoção,
Composto com lágrimas ao luar
Para que com sua satisfação
Eu não precise nunca chorar!
Este é o soneto construído
Com a beleza do seu sorriso
E a firmeza de sua voz e o seu olhar.
Para que no sentimento da eternidade
Eu possa te oferecer com sinceridade
O meu jeito simples de amar!

Olhar de Felina

Você é tudo que quiser.
Água, fogo, terra e ar.
Pode ser a doçura em mulher
E o mundo inteiro mudar!
Pode ser você a poesia,
O idílio ao alvorecer,
Que traz a mim tanta alegria,
Que me faz enaltecer!
Você pode ser a luz,
Até mesmo a árvore na colina,
Difícil de alcançar!
Você pode ser a força que traduz
O seu meigo olhar de felina,
Enquanto aqui vivo só a admirar!

Vadia

És aquela que por certo
Todos os homens querem deitar,
E estando longe ou perto,
Bem ou mal, se dispõem a falar!
És esta que nas ruas
Deixa as coxas de louça à mostra,
E nesta cidade corrupta e nua
Conheces toda a sua corja!
És aquela que nas camas
Vendes o corpo por necessidade,
Tendo na boca o gosto amargo de fel.
E poderias pôr na lama
Muita gente desta cidade,
Que julgam-te não merecer o céu!

Simples poesia

Eu Te Farei Uma Poesia
Da Qual Tu Gostarás
Dando-Te Minha Alegria
Com Um Jeito Puro De Amar!
Por Ti Sei Que Sou Homem
Sem Jamais Ter Sido Criança
Enquanto Que As Dores Que Consomem
Apagar-Se-Ão De Minha Lembrança!
Por Ti Eu Lutarei
Pela União E Harmonia
E Deste Amor Eu Farei
Uma Arma Contra A Agonia,
E Quando Parar Por Ti Deixarei
A Minha Simples Poesia!

Banco

Quando a vida perder o sentido
Serei franco,
E apesar do jogo perdido
Ainda banco!
A vida é imensa
Para quem a sabe viver
Tendo por recompensa
O aumento do saber!
Com o coração ferido
E o olhar franco
Não viverei sem sentido,
Pois, apesar de tudo, banco,
Mesmo com o jogo perdido
Nunca paro, apenas avanço!

Ataque

(Imitando Maiakovski)

Eles Vieram No Primeiro Dia

Pisaram Em Nossas Flores
Tirando-Nos A Alegria
E Aumentando Nossas Dores!
No Segundo Dia, Eles Voltaram
Com Maior Forças Nos Desacatos,
E, Aos Poucos, Nos Espancaram,
E Quebraram Nossos Pratos!
Mas No Terceiro Dia
Eles Enviaram Deles O Mais Fraco
Que Deixou Nossas Louças Em Cacos
E Era Imensa Nossa Agonia
Mas, Se Antes Não Revidamos As Pancadas
Continuamos Ali Sem Termos Feito Nada!

Tempo previsto

Todo dia, um sonho novo começa,
Quem não corre, se perde sozinho
Então, no palco da vida, uma peça
É encenada com flores e espinhos!
Tenho que aproveitar
Bem mais meu tempo previsto
Então, saio a me procurar
Na vã tentativa de provar que existo!
Sei que parece loucura
Procurar algo que não vejo
E que me põe em perdição
Mas, no fundo, a alma se acostuma
A ser perturbada por desejos
Que sempre nos jogam no chão!

Politicamente incorreto.


Você para mim é feito
Uma rosa sem jardim,
Sentimento fora do peito
Começo sem meio e fim!


Você para mim é igual
Jogo sem torcedor,
Ler o jornal
Frente a um televisor!


Você é como café sem cafeína,
Cigarro sem nicotina,
Sexo com camisinha...


Refrigerante light, comer um doce diet.
Você é como paixão que não mata...
Puxa, como você é chata!

Reversos

A mão que afaga
É a mesma que abate.
A voz que agrada
É a mesma que dá o desgaste!
A canção que acalma
É a mesma que revolta.
A palavra que acalenta a alma
É a mesma que a torna morta!
A presença que satisfaz
E que dá a alegria
É a mesma que tira a paz...
Ou causa a agonia
Na qual o corpo cansado jaz
Na espera de um novo dia!

Nas regras do coração


Aprenda a viver, rapaz,
Nas regras do coração,
Pois as coisas que você faz
Na certa é que o farão!

Aprenda a viver, meu amigo,
De acordo com sua moral,
Pois sua vida terá o brilho
Como reflexo de seu ideal!

Aprenda a viver, garoto,
Fazendo no dia-a-dia
O uso do perdão

Para que seu rosto
Reflita só a alegria
Que existe no seu coração! 

Todos os dias.


Todos os dias de minha vida
eu procurei por você,
enfrentei dores, curei feridas,
só não pude lhe conhecer!


Todos os dias de minha existência
você não estava lá
e é uma triste experiência
não conhecer a quem se deve amar!


Eu naveguei por oceanos,
caminhei pelos desertos,
pus minha jangada no infomar


e para meu desengano
quanto mais chegava perto
nunca pude lhe encontrar!

Nem você, nem ninguém.


Por acaso, você ouviu
O grito de amor
Que do meu peito emergiu
Liberando consigo a dor?


Por acaso, você chora
Quando estou descontente
Porque vai embora
O que me alegra simplesmente?


Por acaso, você vê
Que eu não me sinto bem
Quando tenho que dizer


Que muito mais além
Há algo que me faz sofrer?
Não! Nem você nem ninguém!

Nada.


De tudo que fomos,
As sobras são poucas
E agora o que somos
São alucinações loucas!


Antes éramos dois
A sentir a beleza da vida,
E agora e depois
Somos e seremos mágoas e feridas!


Sem carinho para ofertar
No decorrer da jornada,
Ficamos a olhar...


A emoção malograda
Aos poucos se afundar
No eterno vazio do nada!

Dor


Entre um CD do Belchior
E um Programa do Jô,
Apenas não quero me sentir só,
Carregando comigo esta dor!
Entre um copo de bebida
E beijar sua fotografia,
Só não quero cair na vida,
Chorando entre a dor e a agonia!
Quando você se foi,
A dor tomou conta de mim,
Mas não me deixei derrotar.
E cinco ou seis dias depois
Escrevi na areia mais ou menos assim:
"o sonho morreu, então, descanso em paz"!

A última vez.


Lembra quando eu gritei
Que tudo que sentia era verdade
E que sempre te amei
Com irreversível intensidade?


Lembra que a chorar
Eu te falei de amor
E nem quiseste me escutar
Causando em mim forte dor?


Lembra das minhas lágrimas
Implorando tua sensatez
Para que aceitasse minha dádiva


Que era ofertada com lucidez
Pois meu coração não era máquina?
Pois bem, aquela foi a última vez!

??


Não sou mais o que pensava,
Não sou nem dono de mim,
Não sou sequer o olhar de naja
Nem a quietude de jasmim!


Não sou o sonho perdido
Nem a meta alcançada,
Sou eu mesmo, meu próprio sentido,
O qual procuro nesta estrada!


Sei que sou o que seria
Se eu fosse o que devia ter sido.
O sonho que por si só veria


Aquilo que não consigo,
Que minha maior agonia,
É ser eu meu primeiro inimigo!

Tantos poemas

Faço tantos poemas
E os dedico a você.
Por estar neste dilema,
Sem jamais lhe conhecer!
Todos os meus amores
Foram, sim, uma preparação
Para que vencendo os dissabores
Eu pudesse chegar às suas mãos!
Corro, canto e choro,
Não necessariamente nesta ordem,
Em prol de um sonho maior...
No qual feito água evaporo,
Pois meus desejos fazem o que podem
Para que eu não fique tão só!

Minha lida

Fui andando por aí
Procurando um sol maior,
Sem saber se era feliz
Tentando não estar só!
Corri feito louco sem rumo,
Buscando um ponto de partida,
E quanto mais me resumo
Mais prolongo minha lida!
Eu já não sei nem lembro mais
Os caminhos que eu traço,
Procurando algo que não sei o que é.
Só sei que estou em busca de paz
Na solidão ou nos abraços
Deste amado corpo de mulher!

Dedicação

Vou me dedicar a você
mais que uma canção passageira
e amá-la de tal maneira
que jamais a faça se arrepender!
Vou-me dedicar com carinho
em fazê-la feliz,
dando alegria e matiz
na junção de nossos caminhos!
Vou me dedicar a você
com toda a força do coração,
para que possamos renascer.
Ao amar com devoção,
numa balada que a faça ver
que o amor por você é a única razão!

Hoje.

Hoje faz cinco dias,
Duas horas e três minutos
Que num momento de alegria
Lhe propus ficarmos juntos!
Hoje faz tanto tempo
E eu não pude lhe falar
Que o melhor do sentimento
É o saber ofertar!
Agora faz nove segundos,
Três minutos e duas horas
Dos já corridos cinco dias
E, ainda não estamos juntos
Tampouco, nem sei se vai embora
Levando consigo minha vida e alegria!

Dia chato.


As horas passam sem pressa
enquanto espero você chegar.
Um dia chato começa
por você aqui não estar!


O tempo age contra mim,
atropela a vida rapidamente
e minha vida é sempre assim
amo sem ver o presente!


O tempo age sem pressa
e as horas passam rapidamente
enquanto espero você chegar


que não vê o dia chato que começa
atormentando a minha apaixonada mente
por você neste instante aqui não estar!

Porcelana.


Com as mãos ásperas e calejadas
evito mesmo suavemente tocar sua face.
Passo cremes, hidratantes e pomadas;
como se isso adiantasse!


As unhas estão limpas e cortadas
mas, a sensação não muda.
Já lavei, limpei e nada,
diante de você parecem sempre sujas!


Você é tão bela e delicada,
lisa feito a melhor porcelana
correndo o risco até de quebrar


e eu fico aqui a vê-la parada
agradecido por que a gente se ama
ciente de que nada vai nos separar!

Algumas moças

Eu conheci algumas moças
pelos barzinhos do caminho,
pernas lindas feito louças,
cartões postais do perigo!
Convivi com vinhos, drinks, champanhes,
bebidas que qualquer inocente cai.
Algumas moças jamais cozinharam feito mães,
mas bebem mais do que muitos pais!
Eu peço a Deus que me livre
de tropeçar com algumas moças
que seduzem melhor que qualquer mulher,
curvas perigosas com declives
que arrebatam com fúrias loucas
os homens pequenos de pouca fé!

Tal felicidade


É verdade, não o nego,
você é importante para mim
e a estas emoções me entrego
sem me preocupar com começos, meios e fins!
É verdade, eu confirmo,
estas emoções me fazem vibrar
e é por elas que existo
seguindo o caminho que não quero voltar!
É verdade, e você bem o sabe,
que vivo pela força do amor
que me leva onde ninguém foi
em busca dessa tal felicidade
que faz com que por maior que seja a dor
se transforme num sonho de dois!

Imenso sofrer

Busco sempre por você
onde sempre você não está,
se por acaso a posso ver
perco-me ao lhe buscar!
Busco sempre e bem sei
como é difícil lhe encontrar.
É algo assim, como lhe direi,
o sol buscando o luar!
Busco sempre por você
nas vias de minha vida
e nunca paro de rodar
na angústia de achar o ser
que me mostre enfim a saída
deste amargo e imenso sofrer!

Poemas em dor

É sempre assim comigo
eu lhe procuro onde você não está,
ás vezes vislumbro seu sorriso
então, corro para lhe encontrar!
É sempre assim com você
que está onde nunca a procuro
e quando corro para lhe ver
me perco diante do que vislumbro!
É sempre assim com nós dois
que não nós encontramos na hora certa
e não existe hora para este amor
que sempre fica pra depois
torturando minh'alma de poeta
que acaba criando poemas em dor!

Meus passos.


Venha correndo para os meus braços
preciso muito, mas muito mesmo lhe encontrar
dizer-lhe que me perdi em meus passos
no dia em que fui tristemente lhe procurar!


Venha dizer que me ama.
Preciso muito ouvir sua voz
aplacar esta dor que em mim inflama
e dói sempre que estou só!


Venha correndo me dizer
que sou importante para você
e que sem mim grita e chora.


Venha num instante me falar
que compreende meu jeito de amar
e que lamenta muito ter ido embora!

O mundo

O mundo por fora me vigia
sem ver o que tenho por dentro
amor, sonhos e poesias
a nobreza do sentimento!
O mundo teoricamente me controla
mas, não pode ver quem eu sou.
Usa mil artifícios, me enrola,
porém não vê este imenso amor!
O mundo não sabe de mim
assim como não sabe de você
nem quando estamos sós na multidão,
pode até decretar o meu fim
mas nunca saberá o que vou fazer
quando se trata de emoção!

Amor...

Quatro letras pequenas
Para uma emoção tão grande.
É a felicidade amena
Que dentro de mim se expande!
É o carinho querido,
É o sonho realizado,
É o morto renascido,
É o vivo elevado!
Quero palavras, letras, canções,
Tudo que há em meu ser,
Desde a mais íntima das emoções
Até o desejo de querer
O que está nos confins das constelações:
"o júbilo de amar você!"

Você.


Você que está sempre abrindo as portas
Que muitos insistem (para si mesmos) em fechar,
Suas ações não estão mortas
Por sua causa alguns chegarão lá!


Você que está na luta
Quando todos já querem desistir,
Você com suas forças e armaduras
Sabe o seu brilho reluzir!


Você que vê a luta perdida
Mas sabe quem não se perdeu
E acolhe a mão que implora


Dando forças a quem enfraqueceu
Porque vê que existem derrotas
Só para quem de si se esqueceu!

Sono tranquilo.


É fácil agredir o inimigo,
Mas o heroísmo está em estender a mão
Com confiança no sorriso,
Sempre pronto para o perdão!


É fácil ignorar a criança,
Desprezar na rua o mendigo,
Mas o amor está na esperança
De quem oferece um sorriso!


É tão fácil dizer não
E ignorar o apelo da vida,
Passando por cima de quem precisa...


Mas aquele que estende a mão
Talvez, neste mundo, não seja ninguém.
Porém, será sempre aquele que dormirá bem!

Ao lado das margaridas.


Fui eu que, ao amar assim
Acabei indo embora
Fui eu que, ao chegar ao fim,
Logo me vi jogado fora!


Fui eu quem me calei para o mundo
Perdendo deste jeito meu amor,
Fui eu que, com um ferimento profundo,
Mergulhei até o pescoço na dor!


Fui eu que, ao jogar com a vida,
Perdi tudo que tinha
E sem saber o que fazia


Plantei ervas daninhas
Ao lado das margaridas
Para meu desespero e agonia!

Primeiros dias

Sou o último poeta
De uma raça descrente,
O último de uma tribo dispersa
Na qual a solidão é presente!
Sou andarilho solitário
Na solidão dos caminhos.
Sou bárbaro, sou corsário,
Sou o medo e o espinho!
Nesses primeiros dias sou o remanescente
Dos restos jogados contra as vidraças,
Sou a solidão da semente.
A nódoa que n’água passa
E o que resta de minha gente
Está jogado nas praças!

Fardo e poesia

Minha alma não me pertence,
Logo não lhe dou.
Sei que você não entende
Esta forma de amor!
Posso me dedicar a você
De corpo, mente e coração,
Porém, a alma não vou lhe oferecer.
Esta é para a elevação!
Posso estar ao seu lado
Nos campos e pradarias,
Na dor, tristeza ou alegria...
Mas a alma já tem o fardo
De me seguir por todos os lados
Enquanto eu sigo a poesia!

Peregrinos na estrada.


Você precisa entender que eu
Sou deste jeito esquisito,
Pois meu olhar se sorveu
Ao se perder no infinito!


Você precisa entender que nós
Não somos mais aquele casal
Que não erguia a própria voz
E tinha baixo o astral!


Numa linguagem jovem,
Sei de tantas palavras
Que acalmam a dor da jornada...


E intimamente nos comovem
Por sermos peregrinos na estrada
À procura de uma mesma pousada!

Sonho e realidade

Sonho que sou capaz
De mudar o mundo ao meu redor,
E se preciso morro pela paz,
E neste sonho não estou só!
A inocência não é um mal
E eu não entendo minha gente,
Pois num mundo amoral
Torturam e matam um inocente!
Vejo a total arrogância
Nos olhos de um demente
Que pensa ter tudo conquistado.
Mas a corrupção e a ignorância
São armas para os inconsequentes
Deixarem o mundo mais arrasado!

Tanto tempo.


Há tempo, menina,
Que não contemplo tua tez,
Seguindo qual fera assassina,
Ferida e sem lucidez!


Há tanto tempo, querida,
Que vago por entre loucos,
Seguindo uma reta partida,
Morrendo inerte no sufoco!


Há tanto tempo, amor,
Que sigo assim perdido,
Vivendo sem ter motivo...


Tentando fugir à dor
Nesta triste jornada
Que logo, logo estará findada!

O mundo dos homens.


O mundo dos homens é sujo
E cheio de armadilhas,
Que a todo momento eu fujo
E caio na mesma trilha!


O mundo dos homens é cruel
E nele ninguém tem vez,
A todo instante o fel
É semeado com lucidez!


O mundo dos homens, minha cara,
É cheio de dor e tormento
No qual ninguém é de ninguém...


E este humilde que te fala
Não quer ver alheio sofrimento,
Só deseja e tenta viver bem!

A dor dos mortais


Um passo para frente
Dois para a queda,
Um sorriso contente,
Um rosto de pedra!
Um sonho acabado,
Um homem morto,
Um amor fracassado,
Um navio sem porto!
Uma agonia latente,
Uma lágrima no olhar,
Uma partida sem voltar atrás,
Uma tristeza na gente,
De não poder mais voltar
Da amarga dor dos mortais!

Ato e contrição

Senhor, reconheço que errei,
E errado peço perdão
Por ter amado, como amei,
A quem me golpeia o coração!
Sinto forte a dor
Que ao peito me atingiu,
Mas sei que o verdadeiro amor
Jamais se extinguiu!
Sei por certo que eu
Tenho que aprender esta lição
Que me marcará o coração
Porque antes de joelhos pedir o teu,
Tenho que aprender a oferecer o meu,
Para enfim merecer o perdão!

Ato de contrição.


Perdão! Peço-o não por mim,
Ou mesmo por algo que fiz,
Mas por ver a vida tal qual um jardim,
E nisto crer que sou feliz!


Peço perdão pela palavra
Que guiada por mão de carinho
Não viu a rede que a enredava,
E que antes da flor gerou espinhos!


Peço perdão não pelo meu erro,
Mas por crer na vida
E o que nela se faz.


Nesta crença que gera desterro,
Podendo jurar até que sigo a trilha,
Porém, neste caminho não volto mais!

O poema e a dor

Eu lhe fiz um poema.
Você me deu a dor,
Desfiz o seu dilema,
Mas perdi o seu amor!
Eu lhe fiz um agrado.
Você me deu um tapa,
Eu carreguei o fardo,
Você é toda ingrata!
Mas foi com o poema
Que realmente aprendi
Que ao superar a dor...
Enfrento qualquer problema
Sem com isso ser infeliz.
E ainda fortaleço meu amor!

Agonia

Agora estou mais triste
Que uma figura mutilada
Só por que tu persistes
Em fazer esta jornada!
Não é preciso ires
Se me amas de verdade,
Pois ficando farei tu sentires
A imensidão da felicidade!
Tu dizes que me amas
E deixa-me na euforia
Quando por min tu chamas.
E transmito minha alegria
Sem ver que tua falsa chama
É só para tapear minha agonia!

Olhos negros

Caso eu consiga falar
Tudo que trago em mim,
Tempo não haverá para demonstrar
Que este amor não tem fim!
E pensar que tudo começou
Numa noite enluarada,
Quando para mim você olhou
E ficamos sem dizer nada!
Agora analiso
A realização de meus desejos,
Pois de você eu preciso.
E supero todos os meus medos
Na imensidão de seu sorriso
E na forca de seus olhos negros!

Pessoas.


Pessoas que gritam não falam
por que não conseguem ser ouvidas
e assim as palavras apenas se calam
gerando atrás de si mais feridas!


Pessoas que gritam não sabem
que atrás de si existem dores
que em suas almas não cabem
por causa de tantos dissabores!


Pessoas que gritam não ouvem
a alma que chora em silêncio
por não conseguir se expressar


com aqueles que não se comovem
por terem travados os pensamentos
por na realidade não saberem amar!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Se tudo

Se tudo que falo agora
Não tem valor para você,
É melhor, então, ir embora
E por todo o sempre me esquecer!
Se tudo que tento falar
Por você passa despercebido,
Só me resta caminhar
Esquecendo o sonho perdido!
Se tudo que fiz por nosso amor
Só deu lamento e dor
Digo, com toda sinceridade,
Que não me basta uma flor
E nem mesmo outro calor!
Irei procurar a eternidade!

Canceriano sem lar

Minha alma canceriana
Geme e chora de dor,
E não sente a força da chama
De quem me tem ardor!
Minha alma canceriana canta e chora,
Independentemente da emoção,
E minha mágoa não tem hora,
Tampouco motivação!
Minha alma canceriana está
Sempre triste e contente,
Correndo atrás de algo diferente
Que ela sabe que não vai encontrar,
Mas insiste em ir em frente
Por ser eu um canceriano sem lar!

A mala

É preciso muito amá-la,
É preciso amá-la como a mais ninguém!
Mesmo que seja uma mala pesada,
Não é justo deixá-la no trem!
É preciso amá-la
Mais até do que a qualquer um,
Porque, de coração, se puder amá-la,
Ou você ou ela são incomuns!
É preciso, sim, amá-la
Até melhor do que a si mesmo,
Pois ou você ou ela estão perdidos a esmo
Num mundo que a tudo abala,
E você um homem totalmente do bem,
Não faria a indignidade de deixá-la no trem!

Poema globalizado

O meu poema, quem diria,
Quer ir à Andaluzia,
Fazer versos em Roma,
Salvar amores em coma.
Correr leve por Paris,
Gritar ao mundo que é feliz,
Voar por todo o Egito,
Ser livre no próprio grito.
Fazer amor ou colher uma flor
Em plena El Salvador,
Com lembranças de Madagascar
Para no fim de todos os dias
Sonhar com o que faria,
Caso estivesse em Shangri-lá!

Acredite


Só você pode se superar
no corre-corre diário e chato.
Só você pode se perdoar,
superando os desacatos!
Só você pode ir além
do que a vida determinou,
é só você querer bem,
pois já sabe o quanto chorou!
Só você é capaz
de ir além dos sonhos,
enfrentando tudo o que existe.
Porque a verdadeira paz
derruba qualquer mal medonho
e só você pode fazer isto, acredite!

Mutante.


Tal qual fui gerado,
Sigo por minha sina.
Se ora sou Ricardo,
Noutra já sou Marina!


Seguindo pelo caminho
Onde tudo é invertido,
Se tenho companhia estou sozinho,
Se me encontro estou perdido!


E assim é o destino
De quem segue em transversal,
Ora estou sorrindo,


Ora o choro é total
Num caminho em que seguindo
Sou um homem ou animal!

No caminho dos loucos.


Não sigo, percorro,
Não crio, aconteço,
Não parto, morro,
Não rio, gracejo!


Não luto, brigo,
Não busco, procuro,
Não fujo, desisto,
Não acaricio, dou murro!


Não peço, imponho,
Não idealizo, sonho,
Não amo, desejo,


Não falo, grito,
Não olho, investigo,
Jamais sinto, percebo!